Diálogo inter-religioso: uma tarefa ainda mais atual

Diálogo inter-religioso: uma tarefa ainda mais atual

Na semana passada (início de abril/2017), todo o mundo foi surpreendido pelo ataque dos Estados Unidos sobre a Síria em uma suposta resposta ao uso de armas químicas por parte do governo de Assad. A estratégia norte-americana nesse caso se assemelha muito àquela que foi feita contra o Iraque há alguns anos, ou seja, cria-se um suposto inimigo a ser combatido para com isso justificar o uso de força militar contra essa suposta ameaça mundial.
Curiosamente, todas essas “zonas de perigo” e países “perigosos” se encontram em áreas extremamente ricas em petróleo e gás natural o que já seria, em si, algo que poderia gerar uma reflexão sobre as reais motivações tanto dos ataques anteriores como dos atuais.
Com os atentados de 2001 às Torres Gêmeas nos Estados Unidos, a questão religiosa volta com mais força a compor os critérios para as definições dos chamados terroristas.
O islamismo se tornou para o Ocidente e, principalmente para os Estados Unidos, a religião responsável pelo terror e pelo atraso das sociedades. A partir das diversas campanhas propagandistas disseminadas nos diversos meios de comunicação que ligavam os atentados terroristas às questões religiosas islâmicas sem fazer a diferenciação entre o Islamismo e o radicalismo islâmico, rapidamente se criou a ideia de que todo muçulmano é um terrorista em potencial, bem como se espalhou o rumor de que se é necessário tomar cuidado em relação a todas as pessoas que vem dos países muçulmanos.
Com esses dois cenários postos, não é difícil ligar os ataques à Síria tanto a uma questão econômico-política, quanto à questão de intolerância religiosa.
No que tange à questão econômico-política, faz-se necessário o posicionamento cristão contra o capitalismo predatório que insiste, constantemente, em atacar os direitos humanos e promover morte em nome de controles de zonas de riquezas. Em nome do poder, pessoas são removidas de suas terras, as matanças de inocentes são cometidas diariamente, e os mais pobres continuam sofrendo na mão dos que detém os diversos meios de produção.
Com relação ao tema da intolerância religiosa, por sua vez, faz-se necessária a disposição para ouvir o diferente, sabendo que somente mediante isso será possível algum avanço que torne possível uma convivência mais pacífica e respeitosa entre as diversas religiões mundiais e, no caso específico, entre o Islamismo e o Cristianismo.
O Cristianismo é chamado ao acolhimento do estrangeiro, bem como é chamado para o confronto contra tudo aquilo que gera morte em todos os níveis de nossa sociedade. Assim, da mesma forma que o Cristianismo deve se posicionar contra uma economia predatória, deve também se mostrar aberto para o acolhimento e o fomento do diálogo interreligioso em todos os seus níveis.
O diálogo interreligioso, dentro de todo o contexto em que se vive atualmente, se mostra como tarefa fundamental e salutar, sendo uma temática sobre o qual se deve voltar a atenção de maneira séria e comprometida, na tentativa de vencer os diversos preconceitos que insuflam o ódio contra as pessoas que creem diferente, bem como a fim de cooperar para um mundo melhor, mais dialogal e mais humano.

Com isso em mente, os próximos textos abordarão essa temática dentro de uma ótica cristã e protestante.
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