Movimentos de avivamento e o redescobrimento do Espírito

Movimentos de avivamento e o redescobrimento do Espírito

Photo by JOHN TOWNER on Unsplash


A pneumatologia, ao longo da história cristã, mostrou-se como uma temática de difícil elaboração. O fato de somente uma pequena menção ao Espírito aparecer no credo Niceno e sua elaboração mais sistemática ter sido ratificada pela Igreja somente no Concílio de Constantinopla, graças ao trabalho de Basílio de Cesareia, bem como as diversas lutas da Igreja contra os diversos movimentos carismáticos e místicos que surgiram no percurso cristão deixam em evidência essa constatação.

Já bem antes de Constantinopla, questão de uma cristologia do Logos, nos primeiros tempos da fé cristã, já aponta para um possível esquecimento do Espírito. Na grande tentativa, importante para a época, de se falar a respeito da divindade do Filho com relação ao Pai, deixou-se por um grande tempo a pneumatologia de lado.

Na Idade Moderna, podemos perguntar onde, afinal, está a pneumatologia ao longo de todo esse período de uma transformação hermenêutica do mundo Ocidental? Interessante é perceber que, após o movimento de Reforma e os movimentos avivalistas como os de John Wesley na Inglaterra, até mesmo o movimento pietista de Jacob Spener, houve o que é definido no meio teológico como o esquecimento do Espírito.

Nesse sentido, acreditamos que isso se deve à grande onda racionalista que seguiu nos séculos XVI e XVII e que teve grande influência no pensamento cristão e nas questões discutidas nesse período.

Embora o idealismo alemão estivesse retomando a pergunta pelo espírito, isso se deu somente em campo filosófico teológico, com ênfase em temas em torno da liberdade humana (Schelling) e a história do Espírito Absoluto (Hegel). No que tange à teologia do Espírito Santo, em meio teológico explícito, desconhecemos alguma obra de grande importância. Nesses dois séculos, não há uma questão acerca do Espírito. Faz-se uma hermenêutica sem Espírito.

Somente no século XX, após o que é considerado o período de “esquecimento do Espírito”, que a pneumatologia começa, novamente, a ser estudada de maneira mais sistemática dentro da teologia cristã.

Nesse sentido, há um “reavivamento” da questão do Espírito, muito influenciado pelo movimento pentecostal nascido nos Estados Unidos da América, em âmbito Protestante, bem como pelo movimento carismático, em ambiente católico. No lado protestante vemos surgir o movimento pentecostal em sua forma mais característica com o movimento da Rua Azusa em Los Angeles, Estados Unidos.

Esse movimento foi grandemente responsável pelo crescimento do envio de missionário para os países do terceiro mundo, principalmente na África e na América Latina. Na América, o movimento pentecostal brasileiro merece destaque, dado seus mais de 80 anos de existência e enorme crescimento nas últimas décadas com o movimento neopentecostal. O movimento pentecostal brasileiro se divide em três momentos, também conhecido como ondas:

A primeira onda compreende o período a partir de 1910 com a chegada da Congregação Cristã e, posteriormente com a chegada da Assembleia de Deus em 1911. A segunda onda começa na década de 50 e início da década de 60 com o surgimento da Igreja do Evangelho Quadrangular, em 1951, Brasil para Cristo, em 1955 e Deus é Amor, em 1962 e a terceira onda surge a partir do final da década de 70 com a Igreja Universal do Reino de Deus e, com ela, surge aquilo que é denominado hoje movimento neopentecostal brasileiro.

Essas pequenas indicações acerca da pneumatologia que se mostram a partir do século XX nos fazem perceber como o redescobrimento do Espírito alcançou, principalmente, o meio popular através dos movimentos pentecostais, seja do lado católico, seja do lado protestante.

Diante disso, se desdobra um desafio teológico: como falar do Espírito Santo hoje, de maneira que faça sentido para homens e mulheres de nossa época, mas também esteja alicerçado em toda tradição cristã? Estaríamos nós, enquanto teólogos e teólogas, dispostos a fazer esse esforço hermenêutico?

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