Arco-íris, sinal de esperança

Arco-íris, sinal de esperança

Photo by Thiago Rocha on Unsplash


O arco-íris é um fenômeno ótico que consiste na refração da luz pelas gotículas de água que estão suspensas no ar. Essa definição é facilmente encontrada em qualquer busca na internet, ou em qualquer livro de física do ensino médio. Em fábulas que conhecemos quando crianças e em desenhos animados é comum relatar que no final do arco-íris haveria um pote de ouro, de maneira que bastaria seguir até sua origem ou final para dali encontrar uma terra mágica, bonita e cheia de riquezas.

Além da beleza característica desse fenômeno, alvo de diversas fotografias e desenhos, é comum também associar a imagem do arco-íris à diversidade pelo espectro de cores que ele contém, o que, sem dúvida, é uma excelente associação, uma vez que ele mostra que a luz branca que vemos como sendo uma só, é, na verdade, composta de diversos comprimentos de ondas diferentes e, justamente isso que compõe sua beleza.

Quando vamos para o texto bíblico ali também se faz presente o arco-íris. No mito da des-criação do mundo, também conhecido como Dilúvio, o arco-íris aparece lá no final da narrativa. Na cosmogonia judaica, Deus separa as águas do caos inicial e abre nesse caos um espaço para a criação. Dessa forma, para conter as águas que habitavam o tal caos inicial, também conhecido como o Abismo, estabelece a terra na parte de baixo e o firmamento na parte de cima. Assim, na perspectiva judaica, a terra criada estava dentro de uma abóboda e, do lado de fora dessa abóboda, permanecia o caos inicial.

Se no mito da criação Deus separa as águas do caos inicial e cria um espaço de vida, no mito da des-criação, mais conhecido por Dilúvio, Ele abre as comportas do firmamento e rompe todos os reservatórios do Abismo, de maneira que a água que estava do lado de fora inunde a terra e ela deixe de existir, voltando, então, tudo a ser água e escuridão.

Porém, como nos conta o mito, é devido à justiça de Noé que o mundo não é destruído. Antes, na arca se estabelece um espaço de salvação para os seres vivos criados por Deus. Assim, a mensagem do Dilúvio é de que a justiça de um ser humano é capaz de impedir que o caos volte a dominar o mundo.

Voltando ao tema desse texto, é após o Dilúvio que aparece o arco-íris na narrativa. Deus diz: “Estabeleci o meu arco na nuvem para que ele se torne um sinal de aliança entre mim e a terra. Quando eu fizer aparecer nuvens na terra e então se vir o arco na nuvem, lembrar-me-ei da minha aliança entre mim, vós e todo ser vivo, qualquer que seja; as águas não se tornaram nunca mais um Dilúvio a destruir toda carne. O arco estará na nuvem e olharei para ele, para me lembrar da aliança perpétua entre Deus e todo ser vivo, toda carne na terra” (Gênesis 9,13-16).

Esse arco estabelecido no céu, porém, não é um desenho que Deus decide criar entre as nuvens. Antes, simboliza seu arco de guerra que Ele, baixando-o, estabelece que não mais entrará em guerra contra a humanidade. Em outras palavras, Deus estabelece um sinal visível de sua aliança para com seu povo.

Com tudo isso em mente, o arco-íris deve continuar a ser visto por nós como sinal de esperança. Em tempos tão conturbados nos quais vivemos, em que parece que o mal e a morte tendem a prevalecer, o arco-íris nos ajuda a lembrar que Deus não está contra nós, mas está a nosso favor, de maneira que é possível manter a esperança de que dias melhores há de chegar para nosso país e para o mundo.

Em outras palavras, o arco-íris pode ser visto como sinal de esperança de que o mal não dura para sempre, e mesmo em meio a grandes tempestades ainda é possível vislumbrar raios de luz que geram alegria.

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