A decisão de amar

A decisão de amar

Photo by Jonathan J. Castellon on Unsplash


A mensagem de Jesus é bem conhecida por todos aqueles e aquelas que se dizem cristãs e que em algum momento leram os Evangelhos. Ainda que muitas vezes não praticada, tal mensagem dificilmente é dita como não sabida. Ou seja, qualquer pessoa que se diz cristã ao ser perguntada tende a falar que a mensagem de Jesus é a do amor. Amor ao próximo e amor a Deus, de maneira que o seguimento à sua vontade envolve, necessariamente, uma atitude de amor frente ao mundo.

Contudo, mesmo sabendo e recitando isso, percebe-se que não são tantos assim os que estão dispostos a esse seguimento. Uma prova disso pode ser verificada se tomamos a nossa própria nação. Segundo o último censo, a população que se diz cristã chega a cerca de 80% no nosso país. Contudo, somos um dos países em que há mais desigualdade social no mundo. Ora, um país cuja maioria se diz cristã não deveria ser o país onde os princípios do Reino fossem uma marca característica do viver dessa população? Não deveria ela, sendo composta por seguidores e seguidoras de Jesus, ser um exemplo para o mundo de como é viver os princípios ensinados pelo Mestre?

Em outras palavras, ter uma população de cerca de 80% de denominados cristãos e ao mesmo tempo ter um país que é exemplo daquilo que Jesus não pregou e, muito menos, não faria, é um forte indício de que se dizer cristão e seguir Jesus se mostram como dois lados separados por um abismo enorme.

Com isso em mente, pergunta-se: por que, afinal de contas, mesmo sabendo do conteúdo da mensagem não se coloca em prática? A meu ver, uma possível resposta está no fato de que amar não vem pelo conhecimento dogmático, ou muito menos doutrinal de determinada religião. Por mais que possamos, por meio de uma pedagogia do amor, mostrar como deve ser a sociedade desejada pela mensagem de Jesus, amar é sempre uma decisão que parte do indivíduo na direção do outro.

Essa decisão, por sua vez, não tem como ser forçada. Não há como obrigar alguém a amar outro alguém, assim como não há como amar pelo outro. Nesse sentido, a exigência de seguimento de Jesus demanda uma escolha que deve ser tomada por cada pessoa, individualmente.

Quando lemos nos Evangelhos o chamado de Jesus aos seus discípulos, o máximo que Jesus fez foi fazer o convite: “Segue-me”. A decisão de abandonar tudo e seguir a este que chamou partiu de cada um dos que o ouviram. Em nenhum momento houve uma chantagem, coerção, proselitismo, vingança pelo não seguimento. Ainda que os discípulos em certa ocasião quiseram mandar descer fogo do céu e consumir a todos que não quiseram seguir a mensagem de Jesus, este afirma que tais discípulos não sabiam de que espírito eram.

Assim, o seguimento de Jesus, que é o seguimento do amor, ou seja, buscar, na medida do que me é possível, fazer sempre o bem para o meu próximo rompe com toda lógica meramente discursiva e condena todo discurso de amor que não é visto na prática.

Entre dizer que devemos amar uns aos outros e, efetivamente, amarmos uns aos outros é que se encontra o desafio do seguimento de Jesus. Só se aprende a amar amando e tal decisão é sempre individual, que ninguém pode tomar por mim. Ficar no campo do discurso, obviamente, é bem mais fácil. Porém, o que Jesus ordena a seus discípulos e discípulas é a ação de amar por meio de atos concretos que visam o bem da humanidade. E isso, necessariamente, demanda uma decisão da nossa parte.

Será que estamos dispostos a ouvir esse chamado ao seguimento de Jesus hoje?

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