Perguntas de uma doce anciã

Perguntas de uma doce anciã

Outro dia andava por uma praça e percebi uma velha senhora sentada em um dos bancos simples da mesma. Um semblante calmo e sereno, daqueles que somente os mais velhos possuem. Ao assentar ao seu lado, perguntei sobre seu semblante tão encantador. A isso, ela me respondeu:

Sabe filho, muitas vezes temos anseios que não deveríamos ansiar, desejos que seriam melhor que não tivéssemos

Muitas vezes nos convencemos daquilo que gostaríamos que fosse verdade mesmo que aos nossos olhos as coisas estejam tão claras que nunca serão da forma como gostaríamos.

Hoje, na minha longa idade, percebo que às vezes nos apoiamos em ontologias quando deveríamos ver o que construímos
e que, em muitos casos, colocamos Deus onde não deveríamos, responsabilizamo-no pelo futuro que construímos com nossas escolhas e atitudes frente às situações que nos vem.

Por acaso, você já se perguntou quantas vezes falamos quando deveríamos calar, e quantas vezes
calamos quando deveríamos falar?

Quantas vezes fechamos os olhos para o real abrindo-o para o imaginário na esperança
que o segundo se transforme no primeiro?

Quantas vezes somos incoerentes em nossas práticas, encontrando o que almejamos e em contrapartida, decidindo buscar o que idealizamos?

Talvez nada disso ainda tenha passado pela sua jovem cabeça, mas penso que, no final, seja a eterna busca que temos de nós mesmos, esse eterno tentar encontrar no exterior o que deveríamos solucionar no interior.

Espero que ao chegar em minha idade, você tenha percebido que o viver é mais simples do que imaginamos ou do que quiseram nos fazer acreditar que era.

Nesse dia, entenderá o motivo desse meu semblante que tanto lhe encantou.

Fabrício Veliq
27.01.12 – 15:57

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