Daquele risco não me esqueci

Daquele risco não me esqueci

Ao chegar em casa, no final da noite, encontrou debaixo de sua porta uma folha de caderno. Nela estava um poema que dizia:

Daquele risco não me esqueci
também não esqueci de quem me riscou
porém será preciso essa marca para lembrar
de quem bem antes disso me conquistou?

Pergunto-me para que os riscos
se as lembranças sempre permanecem?
Será que percebe nos meus olhos
que os mesmos nunca te esquecem?

Com minha boca tento isso falar
porém em muitos momentos pareço-me com um mudo
ficando simplesmente um olhar
desejando que, de alguma forma,
entenda o que os mesmos falam lá no fundo.

E assim risquei tambémpara que de mim não se esquecesse,
porém garantia nenhuma tendo
torci para que o risco permanecesse.

Se permanecesse
que maravilha seria então
a cumplicidade que já existe
tornaria no fim da jornada a história de uma linda canção.

E ao ler pensou que

talvez ele seja o mais sincero das escritas
e o mais estranho das falas
talvez somente aqui consiga mostrar as vísceras
e descrever, sem meios-termos o que o olhar sente
quando a boca se cala.

Fabrício Veliq
22.08.2010 – 12:15

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