Vacinar-se: um dever cristão

Vacinar-se: um dever cristão

Photo by Hakan Nural on Unsplash


Recentemente o Brasil recebeu uma excelente notícia: a vacina que tem sido desenvolvida pela Sinovac Life Science em parceria com o Instituto Butatã teve excelentes resultados no combate à COVID-19. Como consequência, uma vez liberada pela ANVISA, tal vacina poderá ser aplicada em toda população. Juntamente com essa boa notícia, também foi já foi sancionada pelo Governo de Minas Gerais lei que garante o acesso da população mineira à vacina, tão logo fique pronta. Por mais que tal vacinação não seja instantânea para todas as pessoas, não deixa de ser um sinal de grande esperança para todos e todas que desejam o fim da pandemia.

Ao mesmo tempo, porém, é sabido do crescente número de pessoas que fazem parte do chamado movimento antivacina, que como o próprio nome diz, acreditam que as pessoas não devem se vacinar. Em sua maioria, tais pessoas acreditam nas diversas fake news espalhadas pela Internet, que divulgam falsidades e tentam impor o medo sobre a população. O próprio presidente da República chegou a falar sobre a possibilidade de se virar jacaré caso se tome a vacina, o que mostra o abismo no qual grande parcela de nosso país está inserida.

Olhando do ponto de vista da saúde pública, a vacinação não visa proteger somente um indivíduo, mas toda a sociedade, sendo, portanto, um ato de civilidade se vacinar, de maneira que a população alcance aquilo que é chamado imunidade de rebanho. Havendo a vacinação e grande parcela da população estando imunizada, pessoas que, por algum motivo, não podem tomar a vacina, também estarão protegidas, uma vez que o vírus para de circular, como explica mais detalhadamente a reportagem do UOL Movimento antivacina avança na web: por que ele é ameaça à saúde pública – 29/10/2020 – UOL VivaBem .

Olhando do ponto de vista teológico, a vacinação se mostra como ato de amor ao próximo. Não se toma a vacina somente para se proteger, mas para proteger aos irmãos e irmãs que, por algum motivo, são impossibilitados de se imunizarem. Opor-se à vacinação deliberadamente, dessa forma, revela-se como uma atitude não amorosa e, portanto, distante da mensagem do Evangelho.

Infelizmente, ainda se mostram muito comum as pregações simplistas que insistem em afirmar que não é necessário tomar vacina porque Deus pode curar todas as doenças e, portanto, vacinar-se seria uma falta de fé no poder divino. Esse tipo de engano faz com que diversas pessoas, muitas vezes de boa fé, morram por ausência de anticorpos que as próprias vacinas podem oferecer. Os líderes religiosos que fazem esse tipo de pregação deveriam ser condenados e presos por causar a morte de diversas pessoas em suas comunidades.

Da perspectiva cristã, crê-se que Deus não fará aquilo que o ser humano deve fazer. Da mesma forma, crê-se que Deus é aquele que dá sabedoria, discernimento e conhecimento para que o ser humano seja capaz de criar soluções para os problemas que afligem a sociedade. Como consequência, a vacina não deve ser vista como algo concorrente à ação divina, mas, sim, como fruto da misericórdia de Deus que capacita o ser humano a pensar e criar uma vacina que seja capaz de encerrar uma pandemia.

Vacinar, portanto, é um ato de amor que deve ser incentivado por nós que nos dizemos pessoas cristãs. Todo discurso negacionista a respeito das vacinas deve ser rejeitado e visto como ato egoísta e, portanto, anticristão.

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