Esperança cristã: a confiança de que a morte não têm a última palavra

Esperança cristã: a confiança de que a morte não têm a última palavra

Photo by Emma Simpson on Unsplash


Se estamos no mês em que celebramos a esperança no cristianismo, não é de se espantar que, novamente, outro texto reflita sobre esse ponto fundamental da fé cristã. Afinal, o cristianismo desde seus primórdios se mostrou como a religião da esperança. Quando Paulo, no início do seu ministério, anunciava o retorno iminente de Cristo, acreditando até mesmo que seria um dos que veriam a volta do salvador nas nuvens do céu, anunciava a esperança de que aquela perseguição e opressão que seu povo passava teria um fim. Esperava confiantemente que tudo aquilo passaria em um momento próximo e, assim, anunciava que Jesus estava às portas.

Da mesma forma, cerca de 40 anos depois das primeiras pregações paulinas, alguém de nome João escrevia o Apocalipse, um tratado de esperança que se encontra no Novo Testamento. Ao contrário do que muitas pessoas pensam, esse livro nunca teve o intuito de trazer medo para o povo de Deus e, muito menos, ser um manual que ensinava a ler os sinais dos tempos para prever quando alguma coisa aconteceria no futuro. Desde as suas primeiras páginas anuncia a razão da esperança cristã, o Cristo ressurreto que está à direita do Pai e que, no meio das igrejas, caminha e sofre juntamente com ela a perseguição que a assolava e, consolando-a, anunciava que a libertação estava para chegar.

A mensagem do Apocalipse mostrava às igrejas perseguidas do primeiro século que tal perseguição não seria para sempre, que o mal não teria a última palavra, que por mais poderoso que o Império Romano poderia parecer, Deus é aquele que reina soberano sobre toda terra, e está atento ao sofrimento de seu povo, promovendo consolo e anunciando a derrota dos opressores num futuro breve.

Lembrar-se da esperança cristã hoje se mostra também tarefa importante. Em um momento no qual lidamos com uma pandemia que já matou milhões de pessoas ao mesmo tempo em que temos um governo negacionista e que não demonstra o menor interesse em promover o bem-estar da população, até os mais animados começam a encarar com desânimo o futuro. Não são poucas as pessoas que pensam que tal pesadelo nunca terá fim, que a morte vencerá e que o desespero permanente é inevitável.

Diante disso, a mensagem do Apocalipse se mostra como arauto da esperança. Em Apocalipse 20,14 se afirma que a morte e o inferno serão lançados no lago de fogo. Os símbolos do inferno (o lugar da sepultura, o sheol, que na cultura do povo judeu, era para onde os mortos iam quando morriam), e do lago de fogo (símbolo para a aniquilação) utilizados por João precisam ser lidos como sinais de esperança e não de medo, como quiseram fazer os diversos folclores criados na Idade Média a respeito do inferno, como câmara de tortura para onde vão os que não são cristãos.

A esperança de que na nova criação de todas as coisas (Ap 21) não haverá mais morte (e consequentemente o lugar para onde os mortos vão) é uma mensagem poderosa que precisa ser sempre relembrada. A morte não tem a última palavra, o desespero não é quem dita o futuro. Ainda que os momentos ruins pareçam não ter fim, a esperança de que as estruturas geradoras de morte e os diversos infernos pelos quais a humanidade passa não permanecerão para sempre deve servir de motivação para que não desistamos de lutar por uma sociedade mais justa e digna. É por se ter esperança que não se deve desistir de assumir a causa dos aflitos, necessitados, pequeninos e perseguidos.

Um novo amanhã há de nascer e nele, o sol da justiça brilhará com toda sua força.

 

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