Pessoas encantadas com Deus

Pessoas encantadas com Deus

Photo by Anna Elfimova on Unsplash


É muito comum ouvirmos de pessoas cristãs o desejo de se estar mais próxima de Deus. São diversas as canções que tocam nessa temática, principalmente no meio evangélico, trazendo o anseio daquela que canta em estar mais perto e mais achegada ao divino. Sem entrar no mérito de que muitas dessas músicas tenham alguns erros teológicos e ensinamentos que não condizem com aquilo que o texto bíblico fala, elas não são algo novo. Basta observarmos os Salmos para percebermos que tal anseio já havia em diversos cânticos. O famoso trecho: “como a corça anseia pelas águas, assim a minha alma suspira por ti, ó Deus”, presente no primeiro verso do salmo 42, deixa isso bem claro.

Porém, tal desejo ardente que se manifesta nos momentos de louvor nem sempre está presente no relacionamento diário dessa pessoa com Deus. Ainda é muito comum para muitas pessoas que se dizem cristãs pensar que o momento de encontrar com Deus se dá ali no culto ou na missa e que o templo seria o lugar privilegiado para tal encontro. Em outras palavras, pensa-se que o momento de buscar a intimidade com Deus e a relação com ele se dá ali, naquele lugar específico, e se espera que ali, também, haja um transbordamento de intimidade com o divino. De certa forma, esquece-se que todo relacionamento não é construído somente nos momentos de euforia, mas, principalmente, nos momentos em que não há qualquer tipo de emoção.

Se nos lembrarmos das relações humanas, percebemos que relacionamentos fortes não são construídos da noite para o dia. É muito pouco provável que nossos melhores amigos e amigas tenham sido feitos somente com um encontro e uma conversa esporádica. Muito pelo contrário, uma verdadeira amizade e um relacionamento duradouro, geralmente, são feitos a partir de um longo tempo juntos, conversando sobre questões triviais e sérias, passando por sofrimentos e crises, auxiliando um ao outro, cuidando, ouvindo etc.

Se é assim o relacionamento entre nós humanos, por que, afinal de contas, seria diferente o estabelecimento da relação com Deus? Talvez, fruto de uma mentalidade capitalista, na qual todas as soluções devem ser imediatas, pensar o relacionamento com Deus como solução rápida para as angústias existenciais seja o que passa na cabeça de muitas pessoas quando vão a um culto ou a uma missa. O desejo por Deus, assim, torna-se algo para o momento, sem a querença de um aprofundamento da relação para conhecer mais a respeito do caráter Dele.

A ideia de construir uma relação com Deus, na qual se demanda dispensar tempo para conversar com Ele, ouvir sua voz, ver os seus sinais no cotidiano, aprender que é na relação com o próximo que Ele se faz presente pode parecer pesada demais para muitas pessoas e, talvez por isso, sejam muito mais fáceis os momentos catárticos e “apaixonantes” que as músicas desejosas por Deus proporcionam.

Com essa atitude, porém, há uma grande probabilidade de se criarem pessoas que são somente apaixonadas e encantadas por aquilo que ouvem falar a respeito de Deus, mas que não estão dispostas a construir uma relação de amor para com Ele, o que exigiria um comprometimento de vida e de vontade muito maior do que aquilo que alguns cultos e missas dominicais podem proporcionar.

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