A tarefa da teologia frente à destruição ambiental

A tarefa da teologia frente à destruição ambiental

Photo by Max Saeling on Unsplash


Recentemente o céu de Oregon ficou totalmente tomado por uma cor meio alaranjada, lembrando as imagens que tratam do fim do mundo, ou alguma cena de filme de zumbis em que eles saem andando em meio a uma cidade totalmente escurecida procurando alguém para devorar. Embora tal visão tenha motivado inúmeros memes na internet, trata-se de um assunto muito sério que tem a ver com duas das grandes ameaças à humanidade: o aquecimento global e a destruição das florestas, que são importantíssimas para a vida no planeta.

Tal fenômeno que ocorre em Oregon é fruto de altas temperaturas prolongadas e de ventos fortes na região. Tem sido considerado como sem precedentes e tem colocado em risco a vida de várias famílias, além de já haver uma área de quase 130.000 hectares queimando simultaneamente, como informa a reportagem do El País de 10 de setembro de 2020.

No Brasil vemos algo também alarmante. Inúmeras queimadas atingindo a floresta Amazônica e o Pantanal. Aliadas ainda ao negacionismo daqueles e daquelas que deveriam proteger essas áreas e seus povos originários, vê-se crescer o volume de área destruída. No caso do Pantanal, o volume de queimadas já equivale à destruição de 6 anos, como mostra reportagem do UOL, em 08 de setembro de 2020.

Essas são apenas algumas catástrofes que a ação humana tem provocado por meio de sua negligência em cuidar do planeta e a falta de vontade política e econômica para a alteração dos mecanismos de produção, grandemente responsáveis pelo aquecimento global e pela poluição da atmosfera. Fruto de uma mentalidade da Idade Moderna exacerbada a partir da lógica capitalista, na qual a natureza passou a ser vista como fonte de recursos infindáveis, sendo, portanto, permitido ao ser humano retirar dela tudo e quanto quisesse, tal forma de pensar, que permanece até hoje, tem resultado na destruição paulatina do planeta.

Nesse cenário, o que a teologia tem a dizer? Qual deve ser a postura de uma teologia que se diz cristã diante desse fato? Em primeiro lugar, ela deve encarar seriamente o problema, sem negacionismos, ou fatalismos. Dessa forma, todo discurso de que tal destruição seja uma vontade oculta de Deus, ou que isso seja um castigo divino para determinada sociedade etc deve ser rechaçado. Não há lugar dentro de uma teologia cristã que se baseia no amor de Deus e no testemunho de Jesus Cristo para esse tipo de pregação altamente preconceituosa e discriminatória.

Em segundo lugar, cabe à teologia cristã insistir na sacralidade da natureza enquanto obra de Deus, reconhecendo que o ser humano não deve ser visto como “coroa da criação” e como “dominador” sobre toda a natureza, podendo fazer o que quiser com ela. Muito pelo contrário, deve ressaltar o caráter totalmente dependente que o ser humano possui com relação à natureza. Se morrermos a natureza permanece, se a natureza morre não conseguimos viver. Assim, colocar o ser humano no seu devido lugar diante da natureza criada por Deus é importantíssimo. O ser humano foi colocado no jardim como jardineiro, não como proprietário, como nos mostra o mito da criação de Gênesis.

A natureza, enquanto criada por Deus tem algo do próprio Deus e, por isso mesmo, possui dignidade e sacralidade, devendo ser respeitada e cuidada. Uma teologia séria e comprometida com os valores do Reino de Deus deve, portanto, lutar pela causa da natureza, condenando como pecaminosa toda ação que promova sua destruição. Destruição essa que, em grande parte, ocorre para satisfazer a ganância de um sistema capitalista que, como Mamon, devora seus filhos e filhas.

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