Esperança e Ressurreição: algo para o Ano Novo

Esperança e Ressurreição: algo para o Ano Novo

Hoje, dia 01/01/2020, comemora-se a chegada de um novo ano para grande parte do mundo. Na véspera, é bem provável que várias pessoas que leem esse texto comemoraram com alguns amigos e amigas, bem como com entes queridos, vendo os fogos de anúncio da chegada de 2020. Outras pessoas, por sua vez, passaram trabalhando, sejam atendendo situações de risco e cuidado de pessoas que não poderiam ficar sozinhas, ou necessitavam de algum tipo de cuidado, sejam vendendo coisas nas praias, cidades e locais de comemorações para que pudessem conseguir um dinheiro a mais para poder fechar as contas no final do mês.
Seja em qual espectro de pessoas nos encontremos, parece que há algo de comum em todas nós: a esperança que toda virada de ano proporciona. É até comum lermos mensagens enviadas nas diversas redes sociais falando sobre a nova oportunidade que o novo ano traz, sobre os novos 365 dias que temos para podermos ser diferentes, para curtir mais a família, os amigos, resolver os problemas de relação que ficaram pendentes no ano passado. Enfim, a utopia (e aqui no bom sentido da palavra) de que algo novo se inicia nos dando a oportunidade de fazer as coisas de forma diferente é algo que perpassa as mentes e os corações de todos e todas.
A princípio, nada de errado com isso. Todas as pessoas precisam de utopias para viver e, sem elas, o mundo seria um fardo muito pesado. A utopia, no entanto, para nós que nos dizemos cristãos e cristãs, precisa ser vista sob o prisma da esperança bíblica, que afirma que há um mundo diferente desejado por Deus, que vem da parte Dele para a humanidade. Isso, por sua vez, implica para nós comprometimento com as causas humanas e com a causa dos desfavorecidos da sociedade em que vivemos, de maneira que seja possível que essas pessoas experimentem as nuances do Reino de Deus que há de vir em sua plenitude.
Se não for assim, no lugar de esperança criamos somente expectativas para um novo ano, ou seja, somente o esperar da ocorrência de alguma coisa, de maneira passiva, aguardando que alguém resolva as questões que precisamos. Se não compreendemos a esperança como ativa, como algo que demanda de nós uma ação efetiva frente às realidades que nos cercam, não compreendemos a esperança bíblica, ficando somente no campo das expectativas, que obviamente não se implica com a sociedade.
Falar de ano novo, vida nova e esperança nos faz lembrar a ressurreição, marco da esperança cristã; evento que marca o sim da vida que vem da parte de Deus sobre não da morte, afirmando que esta não tem a última palavra sobre aquela. Evento tal que nos faz crer que as coisas antigas se passaram e se tornaram novas; que traz a esperança de que assim como Cristo ressuscitou, assim também nós fomos ressuscitados com Ele, a fim de que experimentemos o que é ser nova criatura.
Essa ressurreição, que abre uma nova vida possível para todas as pessoas, dando-nos a oportunidade de não nos vermos mais como afastados de Deus, mas queridos e queridas por ele, está em total consonância com o que falamos da esperança mais acima e com a utopia que todo novo ano oferece, a saber, a oportunidade de sermos mais humanos do que fomos no ano que se passou, de nos importarmos mais com o nosso próximo, de lutar para que as estruturas de morte que persistem na sociedade não tenham a última palavra sobre a humanidade, de afirmar o amor de Deus que não faz acepção de pessoas, mas ama incondicionalmente a todos e todas.
Quem sabe, assim, compreendendo o ano novo não somente como uma data qualquer, mas lendo-o também como uma faceta possível da mensagem que a ressurreição traz, estejamos mais atentos à esperança cristã que exige de nós que nos tornemos mais humanos?
Se assim o for, o primeiro dia do novo ano que se inicia não será somente um dia para se descansar da noite da virada, antes, será também um dia para fazermos memória da ressurreição e fortalecer nossa esperança para o ano que começou.
Feliz Ano Novo!
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