Direitos Humanos como inspiração para o anúncio cristão

Direitos Humanos como inspiração para o anúncio cristão

O tema dos direitos humanos se torna cada dia mais atual frente aos diversos acontecimentos que se fazem presentes em diversos lugares do mundo. Num ambiente constante de guerras tramadas por nações poderosas com o intuito de destruir economias emergentes e garantir para si maiores lucros, não é de se admirar que a questão humana se mostre como uma das últimas a ser considerada por esses países.
Além das guerras militares, não se pode esquecer as guerras econômico-financeiras, ainda que as primeiras estejam intimamente relacionadas com as segundas, sendo talvez o braço armado dos grandes investidores mundiais. Em nome de espaços geopolíticos e, novamente, lucros para os acionistas, não se importam se países inteiros precisam declarar falência e ter sua população mendigando o pão. O mais importante é garantir para si hegemonia e controle dos meios de produção.
Diante de um cenário assim, como o cristianismo atual deve pensar a questão dos direitos humanos? Ainda que esta questão pareça ter uma resposta bastante óbvia, ainda é muito comum que igrejas, sejam católicas, sejam protestantes se aliem aos detentores do poder e sejam instrumentos para subjulgar o povo de seu país, fazendo-os crer que aqueles que os exploram são os enviados de Deus para a salvação e resolução dos problemas pelos quais o país passa.
Assim, no lugar de serem luz e vozes proféticas no mundo, assumindo o lugar daqueles e daquelas que não têm como se defender por si mesmos, colocam-se como algozes cruéis, porém revestidos de uma aura de santidade já típica de ambientes religiosos.
Diante disso, faz-se importante lembrar de que, de acordo com a doutrina cristã, Deus se fez humano para que o humano pudesse ser como Deus é. Essa verdade que é maravilhosamente trazida no conceito de theosis da teologia ortodoxa nos faz perceber que a humanidade de Deus não se faz como acidente devido ao pecado, antes, revela-nos que, independentemente do pecado humano, Deus se encarnaria, visto ser próprio do amor buscar o outro, aquele a quem se ama.
Lembrar a humanidade de Deus manifestada em Jesus Cristo deveria, então, colocar os Direitos Humanos, que afirma direitos fundamentais de todo gênero humano, como mais uma inspiração para o anúncio cristão. Dessa forma, pensar um mundo onde esses direitos são violentados, esquecidos, subjulgados em nome dos poderosos deveria ser visto por aqueles e aquelas que se dizem cristãos como uma afronta ao próprio Deus.
Reconhecer que Deus se fez carne assumindo a humanidade em sua inteireza, fazendo –se um marginalizado na sociedade do seu tempo, lutando pelos direitos dos que não tinham voz implica, para as pessoas que se dizem cristãs, promover a mesma luta e tomar as mesmas atitudes.
Diante disso, a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que é um marco para a história mundial, tendo sido aprovada a 10 de dezembro de 1948 pela Assembleia Geral das Nações Unidas, pouco tempo após o término da II Guerra Mundial, não deve ser vista como “aquilo que beneficia vagabundo”, mas sim como algo que resgata valores que são caros ao Deus bíblico revelado tanto no Antigo quanto no Novo Testamento.
O anúncio cristão afirma que todo ser humano tem sua dignidade, visto ter sido criado pelo mesmo Deus que não faz acepção de pessoas, mas ama a todos e todas indiscriminadamente. Assim, atentar contra os direitos humanos, principalmente dos marginalizados da sociedade, é atentar contra o próprio Deus como nos mostra todo o Evangelho anunciado por Jesus.
Nesta semana, em que se comemoram 71 anos da promulgação desse importante documento na história da humanidade, como cristãos devemos assumir o compromisso de lutar para que a sociedade se torne cada vez mais humana, fazendo calar todo discurso e toda ação que atente contra a vida dos marginalizados, indígenas, pobres, negros, imigrantes etc, uma vez que vemos neles a pessoa de Jesus que, assim como estes, também foi um marginalizado no seu tempo.
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