Mais esperança e menos expectativas: desafios para 2019

Mais esperança e menos expectativas: desafios para 2019

O novo ano começou ontem. Provavelmente, todos os leitores e leitoras deste texto receberam inúmeras mensagens de amigos, amigas e familiares desejando um feliz ano novo, cheio de realizações, saúde, dinheiro etc. Bem provavelmente também, ninguém recebeu uma mensagem desejando um novo ano cheio de esperanças e menos expectativas, o que, a meu ver, seria um dos melhores votos que alguém poderia desejar a alguém.
A diferença entre os dois termos se mostra interessante. Enquanto a expectativa está relacionada com a espera de algo que seja provável de acontecer, a esperança, por sua vez, conforme entendida biblicamente, é aquela que espera algo com confiança e age em prol desse algo que se espera. Enquanto a primeira tem uma atitude passiva em relação ao futuro, a segunda pressupõe uma ação em relação a ele.
Nesse sentido, a criação de expectativas é muito mais recorrente do que a criação de esperanças, até mesmo porque criar as primeiras é muito mais tranquilo e fácil do que cultivar a segunda.
Nesse novo ano que se iniciou com a chegada ao poder de um candidato que ao longo de sua campanha pregou a anticorrupção e fez promessas eleitoreiras de “mudar tudo isso que está aí”, várias pessoas criaram expectativas de que bastava um agente externo para transformar a realidade de nossa nação, de maneira que não se demanda nada delas, a não ser que votassem e continuassem com suas vidas da mesma forma que estavam antes do processo eleitoral.
Essas boas expectativas, por sua vez, como todas as expectativas não realizadas, começam a naufragar na cabeça de qualquer pessoa que tenha o mínimo de pensamento crítico ao tomar notícia dos diversos escândalos que já envolveram o presidente eleito antes mesmo dele tomar posse. O caso do cheque de 24 mil pagos à esposa, o sumiço do Queiroz, os desgastes internacionais com as declarações de futuros ministros, dentre outros que os jornais investigativos têm mostrado somente confirmam o engodo dos discursos trazidos por sua campanha.
Ao mesmo tempo, aqueles e aquelas que criaram más expectativas com relação ao novo governo têm visto que essas tendem a se cumprir, diminuindo a qualidade de vida da população mais pobre, aumentando a desigualdade social, já tão crítica em nosso país, destruindo a soberania nacional por meio de privatizações e acordos que favorecem interesses internacionais etc, fazendo com que essas pessoas, muitas vezes, caiam em certo desespero frente ao futuro que se vislumbra.
Nesse cenário, nesse novo ano que se inicia, urge-se a necessidade de se criar esperança no sentido bíblico do termo. Ou seja, uma esperança que, por ter consciência de que o Reino de Deus é um reino onde imperam a paz, a justiça social, a partilha, o amor ao próximo, a não discriminação e a não desigualdade, não se cala, mas luta para que essas realidades se façam presentes na sociedade, reconhecendo que a plenitude de todas elas só pode vir na nova criação de todas as coisas.
Por reconhecer que por meio da ressurreição de Jesus essa nova criação já teve seu início, cristãos e cristãs são chamadas a anunciar que a nova vida já se faz presente e, por se fazer presente, ela deve ser anunciada a todos e todas que se encontram no desespero da morte e do abandono.
Dessa forma, o cultivo e o espalhar da esperança por parte de todos e todas que se dizem cristãos se mostra como condição necessária para viver o próximo ano que se anuncia. Por este motivo, meu desejo a todos e todas que leem esse texto é de que a esperança renasça no seu coração para que, com ela, na força do Espírito que dá vida a todas as coisas, lutemos para que o Reino de Deus, conforme anunciado nos Evangelhos, e que passa longe dos fundamentalismos religiosos crescentes em nosso país, possa se fazer presente em nossa nação.
Um Feliz Ano Novo cheio de esperança para todos e todas!
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