Singularidades: desafios para uma Teologia atual

Singularidades: desafios para uma Teologia atual

Tanto na Matemática quanto na Física o conceito de singularidade é bem conhecido. Esse conceito é usado para se denominar um ponto no qual as regras gerais não são tão válidas assim. Dessa forma, aquilo que funciona bem em todo o conjunto quando chega naquele ponto específico se torna extremamente complicado, necessitando, assim de uma nova forma de abordagem para resolver determinado problema. Com isso, a relação com as singularidades se mostram de forma dupla: por um lado, deseja-se um sistema no qual não haja pontos de singularidades, o que quer dizer que o sistema funciona perfeitamente, pelo outro, a singularidade, quando resolvida, abre novas perspectivas para novas possibilidades muitas vezes não enxergadas quando determinado sistema estava “redondo”.
Se, ao invés da Matemática, voltarmos nossos olhos para a Teologia, ao longo de sua história, foram vários os pontos de singularidade com os quais ela teve que lidar: encarnação, ressurreição, salvação, parusia, são apenas alguns dentre vários que poderiam ser listados.
Com o passar do tempo, porém, após a resolução dessas singularidades (a maioria delas foram resolvidas até o século VIII), o Cristianismo, aparentemente, passa a se portar como um conjunto sem pontos de singularidade. Ou seja, todas as coisas poderiam ser explicadas a partir das estruturas e dogmas que já havia sido criado e, assim, o Cristianismo passa a ser visto por diversos teólogos e filósofos como a melhor religião entre todas e também como “consequência” do uso do intelecto, ou seja, como o fim de todas as religiões.
Essa visão um tanto quanto romantizada, porém, começa a vir por terra com a entrada da época moderna e seus diversos questionamentos acerca da verdade do mundo. Diante disso, e com o Cristianismo não sendo mais aquele que ditava as regras do jogo e possuía todas as respostas, novas e antigas singularidades são novamente apresentadas aos cristãos que, através de diversos teólogos e teólogas, tentaram respondê-las e resolvê-las.
Como era de se esperar, em dias atuais, a Teologia também se mostra cercada de singularidades a serem resolvidas em seu sistema. Como responder teologicamente às questões referentes à homossexualidade, eutanásia, capitalismo neo-liberal, crise ecológica, cyber-humanismo, diálogo e sincreteismo inter-religioso, hipermodernidade e ausência de Deus, dentre tantas outras?
Em Matemática, para se resolver essas singularidades é preciso um olhar, muitas vezes criativo, ao redor da vizinhança onde elas estão para, a partir daí, conseguir determinar uma solução para o problema.
Não seria essa também a tarefa da Teologia atual? Ao invés de olhar as novas questões sempre com os mesmos conceitos e formas fechadas, não deveria ela estar disposta a, observando a sociedade na qual está inserida, ser também responsavelmente criativa ao propor respostas que se coadunam com aquelas dadas por Jesus e outros teólogos em suas respectivas sociedades e tempo?
A publicização da Teologia só será possível mediante seu intervir criativo em questões que são demandas pela sociedade atual. Assim, é necessário que todo cristão assuma para si a tarefa de propor respostas teologicamente criativas para as diversas singularidades que batem à porta da Teologia de nosso tempo.

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