Filhinhos, guardai-vos dos ídolos.

Filhinhos, guardai-vos dos ídolos.

Filhinhos, guardai-vos dos ídolos – I João 5:21
Acho esse versículo interessante. Para começar, ele se encontra no final da primeira epístola de João, na verdade, é seu último versículo. João, nesse caso, encerra a carta com um conselho aos cristãos para o qual escreve. Para quem lê o texto sem uma preocupação exegética e com pouca atenção ao resto do capítulo, esse último versículo parece um lembrete. Dá a ideia de que João já tinha escrito a carta toda e, de repente, lembra que não havia dito determinada coisa. Porém, se atentamos para o contexto em que está escrito, perceberemos que esse versículo vem logo depois da declaração a respeito de Jesus Cristo como verdadeiro Deus que veio a nós.
Ao observarmos a definição do dicionário Michaelis que define ídolo como sendo uma “Estátua, figura ou imagem que representa uma divindade e que é objeto de adoração” e ligarmos essa definição com o versículo anterior a respeito de Jesus Cristo como verdadeiro Deus, a questão de orientar aos cristãos para se guardarem da idolatria parece fazer muito mais sentido. Dessa forma, não parece ser um adendo sem importância, antes algo que os cristãos devem se atentar.
Em segundo lugar, acredito ser interessante pensarmos a questão da idolatria em nosso contexto atual. O que está em jogo com a essa questão não é antiga querela a respeito da iconoclastia que vem desde os primeiros séculos do cristianismo, embora diversos cristãos, sejam eles católicos, protestantes ou evangélicos ainda se debatem sobre essa temática, ora acusando de idólatra (geralmente são os evangélicos que fazem isso), ora tentando se defender de que aquilo que fazem não é idolatria (geralmente os católicos fazem isso). Nos dois casos, porém, a questão da idolatria não é tratada de uma maneira séria e com a profundidade que se é exigida.
Para pensarmos a idolatria é necessário termos em mente que não se trata de uma mera questão iconoclasta (esta pode ser somente uma das formas de idolatria), mas que tem mais a ver com a posição que Deus ocupa na vida de cada pessoa.
Dessa forma, todo e qualquer objeto, pessoa ou pertence pode se transformar em um ídolo e, assim, não dificilmente podemos nos tornar um idólatra, mesmo sem nunca termos construído, empiricamente, uma estátua para adorarmos como diz a definição.
Em dias atuais, principalmente no meio gospel, urge pensarmos a questão da idolatria. São diversos os famosos desse meio que com seus “shows de adoração” atraem multidões e são transformados em ídolos por diversas pessoas. Não me espantaria se algum dia se mostrasse que esse desejo de fama e de ser ovacionado por todos é algo que permeia a mente de muitos que entram nesse meio, mostrando que a chamada “síndrome de Lúcifer” não está tão distante do meio gospel como se esperaria.
Dessa forma, o conselho de João para que nos guardemos dos ídolos se torna bastante atual. A fala de Jesus de que “onde está o seu tesouro, aí está também o seu coração” somente corrobora o conselho do apóstolo acerca da idolatria. Consequentemente, tomando a fala de Jesus e o conselho de João, é fácil deduzir que se quisermos saber se somos idólatras ou não, basta perguntar a nós mesmos onde está o nosso coração.
Se formos honestos, talvez perceberemos que o trabalho, o estudo, a família, a igreja, o cantor ou cantora favorita, os amigos ou os nossos bens se tornaram para nós mais valiosos do que o próprio Deus e, assim, nos tornamos idólatras, construindo para nós mesmos um objeto de nossa adoração.
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