Mas Jesus era diferente!!!

Mas Jesus era diferente!!!

Mas Jesus era diferente!
Essa geralmente é a primeira resposta que escuto quando proponho o tipo de atitude que deveríamos ter frente às diversas questões de nosso mundo.
Porém, sempre que ouço isso penso que se, como cristãos, assumimos a total humanidade de Jesus, temos que assumir que esse estava sujeito às mesmas questões que nós estamos, tem as mesmas dúvidas, as mesmas necessidades, as mesmas angústias, a mesma propensão ao sofrimento que um homem comum da Galileia do primeiro século teria.
Salvaguardar a humanidade e a historicidade de Jesus implica em assumir todas essas questões, implica em assumir que ali se encontra um humano como eu e como os outros cidadãos do mundo. 
Se, no entanto, defendemos a tese de uma diferenciabilidade de Jesus com relação aos homens comuns, então colocamos nele um algo a mais que implicaria, necessariamente, que ele não é como nós, o que sem dúvida, traria sérios problemas à visão cristã de salvação que afirma que aquilo que não foi assumido não pode ser salvo.
Assumir essa humanidade e historicidade em sua totalidade também traz consigo grandes implicações com relação àquilo que conhecemos do próprio Deus. No crucificado percebemos um Deus muito diferente dos deuses impassíveis, onipotentes e necessários da Grécia Antiga e imediações, o que, sem dúvida, deveria ater nossa reflexão sobre esse Deus revelado por Jesus Cristo.
Assumir a humanidade de Cristo demanda lidarmos com o padrão de vida traçado por ele e, da mesma forma, com a mesma ajuda da graça de Deus, tentar viver como ele viveu, reconhecendo a possibilidade de ser assim. 
A exortação paulina que diz: “tende em vós o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus” em Filipenses não pressuporia a possibilidade de termos essa mesma disposição que houve no mestre? Se assim não o fosse, não seria isso uma exortação desonesta e desumana, imputando sobre nossos ombros algo que não poderíamos suportar? 
Penso que esse é o grande desafio de todo cristão: ser igual a seu mestre em toda sua humanidade, em toda sua abertura para Deus e para o próximo e assim mostrarmos que somos imitadores de Cristo, porque ele nos mostrou que é possível viver uma vida direcionada para o Pai e direcionada para o outro, a partir da sua relação filial com o Pai.

Reflitamos

Fabrício Veliq
24.10.2014 – 10:48

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