Gosto de pensar sobre unidade

Gosto de pensar sobre unidade


Gosto de pensar sobre unidade

Dos conceitos que vemos no cristianismo esse talvez seja um dos mais importantes. Jesus orou ao Pai pedindo para que seus discípulos fossem um só entre eles, assim como Ele e o Pai eram Um, o reconhecimento de que somos discípulos de Cristo passa pela questão da unidade, a Trindade, que parte do princípio de que três pessoas distintas constituem um único Deus, se mostra como um dos mistérios principais da teologia desde a antiguidade.

Em todos esses exemplos percebemos que a questão da unidade se mostra presente, seja pela própria identificação da pessoa de Deus, seja no reconhecimento de que pertencemos a Ele. 

Contudo, vivemos em um mundo para o qual a ideia de ser um soa meio estranha. Não dificilmente se liga essa ideia de unidade a um socialismo a la Cuba e China, ou os mais desavisados ainda à noção de esquerda política e por aí n outras variantes que podemos tirar.

O que mais me chama atenção, no entanto, é a enorme confusão que a maioria de nós fazemos entre unidade e uniformidade. Não são poucos de nós que acreditamos piamente que ser um quer dizer ser igual. 

Dessa forma, se determinada pessoa não pensa da mesma forma que eu não está sendo um comigo, se a religião dele é diferente da minha não é possível eu ser um com ele, se o discurso que ele professa não condiz com o discurso que eu professo não posso ser um com Ele. 

e dessa maneira, ligamos a ideia de união à ideia de uniforme.

Interessante que se, por curiosidade pesquisarmos essas duas palavras no dicionário (nesse caso usei o Michaellis on line) veremos que Uniformidade  tem seu significado como Igualdade, conformidade, enquanto Unidade, dentre os diversos significados que encontramos,  destaco  os de singularidade, concordância; identidade de propósito; ação combinada de diversos agentes com a mesma finalidade.

Nesse sentido, parece-me claro que os conceitos são bem diferentes e todo aquele que pensa em unidade como uniformidade não tem muito clara a distinção entre os dois termos.

Penso que Jesus tinha essa diferença muito clara ao longo de seu ministério, enquanto seus discípulos, nessa época não tinham. Podemos perceber isso no trecho de Lucas 9: 49 e 50:

Disse João: “Mestre, vimos um homem expulsando demônios em teu nome e procuramos impedi-lo, porque ele não era um dos nossos. “
“Não o impeçam”, disse Jesus, “pois quem não é contra vocês, é a favor de vocês”.

Enquanto os discípulos estavam preocupados com a uniformidade, Jesus conseguiu ver a unidade. 

Interessante também é que o mesmo João quem disse isso no trecho acima, mais a frente, em sua carta, no capítulo 4, versículos 7 e 8 dirá: “Amados, amemos uns aos outros, porque o amor vem de Deus e todo o que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Quem não ama, não conhece a Deus, pois Deus é amor.”

Suspeito que João, mesmo depois de tanto tempo, tenha entendido a diferença proposta pelo Mestre há alguns anos.

Nesse sentido, oremos para que nossos olhos estejam atentos para que não confundamos esses dois termos, visto que essa confusão pode gerar em nós a impressão de que temos sido um quando, na verdade, temos sido somente iguais, padronizados como a segunda foto bem como nos convencer de que todo pensamento contrário ao meu deve ser rechaçado para que a unidade permaneça, ignorando a beleza da ação de um Pai que age  multiforme graça e a usa para criar uma bela paisagem.

Pensemos.

Fabrício Veliq

25.04.2014 – 20:07

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