Sobre joios e trigos

Sobre joios e trigos


Deixai crescer ambos juntos até à ceifa; e, por ocasião da ceifa, direi aos ceifeiros: Colhei primeiro o joio, e atai-o em molhos para o queimar; mas, o trigo, ajuntai-o no meu celeiro
Mateus 13:30



Penso que esse texto é um convite à humildade e à tolerância. Ainda mais no mundo atual, no “evangelho” atual que vemos pregado nos diversos locais por onde vamos.

Não dificilmente percebemos alguns de nós a falar: “essa coisa não é de Deus”, ou “Deus não pode agir desse modo, onde já se viu?”

E nesse sentido que penso que essa parábola do joio e do trigo tem muito a nos ensinar na atualidade. 

Um dos pontos mais interessantes que percebo no texto é que quem faz a colheita não são os servos do dono da plantação. . Por mais que a intenção dos servos aparenta ser muito boa e solícita, a resposta do senhor da plantação é muito clara. Um enfático não é dada à proposta. Porém, não é um “não” sem resposta, mas um não com uma justificativa do porquê desse não (nada de porque sim, ou porque eu quero). O motivo era simples: “para que, ao colher o joio, não arranqueis também o trigo com ele” (v. 39). 

Por mais que a intenção dos servos fosse boa, o senhor da plantação tinha consciência de que os mesmos não eram capazes, não tinham conhecimento suficiente para fazer a separação entre o joio e o trigo, o que acarretaria em perda do trigo e a confusão de um com o outro.

Ao contrário, o senhor diz para deixar crescer o joio e o trigo juntos e, na ceifa, os ceiferos fariam a separação entre um e outro.

Por isso, penso que antes de falar se algo é ou não de Deus, devemos lembrar dessa parábola. Não somos nós quem fazemos a separação entre joio e trigo, o senhor da plantação não autorizou os servos que plantam a fazerem isso. Antes, dá-lhes uma palavra de tolerância: “deixai crescerem juntos”. 

Poderia incomodar os servos isso, contudo era necessário reconhecer que não tinham capacidade para a separação e que, caso tentassem fazer, o estrago seria maior que a ajuda.

Não é difícil termos a impressão de que sabemos separar as coisas que “são de Deus” daquelas que não são. Quem costuma fazer isso geralmente não atenta que há situações que são bem complexas para sermos totalmente taxativos sobre elas. A humildade e a tolerância sempre fazem bem nesses casos. 

Penso que a ordem do senhor da plantação nos instiga a desenvolvermos essas duas virtudes que ficam cada dia mais raras entre nós.

Que aprendamos com essa parábola os princípios da tolerância e da humildade com a consciência de que somente Deus sabe aqueles que lhe pertencem e que, muitas vezes, nossos olhos e nossas visões de mundo podem nos enganar, fazendo com que, na ânsia de ajudar o senhor da plantação, estraguemos e queimemos diversas partes do trigo.

Pensemos…

Fabrício Veliq
10.02.2014 – 10:57
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