30 anos… Sigamos…

30 anos… Sigamos…

30 anos…

Tá aí uma boa data para fazer reflexões. Parece ser do senso geral que chegar aos 30 anos tem um significado grande. São vários os que mensuram o antes dos 30 e o depois dos 30.

No meu caso, nunca fui muito fã dessa ideia. Se até nossa expectativa de vida fosse, como em tempos passados, 60 ou 70 anos, estaria, hoje, chegando à metade da jornada, ao começar descer o morro nessa vida parabólica.

Como não penso assim, considero 30 como parte da subida. E, como parte da subida, continuo subindo.

Assim, como em todo aniversário, tenho o costume de fazer uma retrospectiva reflexiva. Penso que é interessante escrever essas memórias. Daqui a algum tempo, ao relê-las, poderei ver o que pensava ao fazer trinta e ponderar se isso continua o mesmo, ou se algo foi melhorado ou piorado. Assim, o blog cumpre um papel de diário de bordo ao longo da vida.

Fazendo essa retrospectiva hoje, comecei a ponderar sobre a questão que sempre colocamos a cada novo ano, ou seja, o que alcancei e o que quero alcançar. Para mim, essa ideia do alcançar sempre me remete a uma corrida que vislumbro um prêmio lá na frente, que preciso chegar até ele. Sempre pondero nesse chegar até algum lugar. Lembro que há algum tempo escrevi um texto chamado “Algo sobre travessias” que tratava dessa questão. Coloco o link, caso queiram dar uma olhada. (http://fveliq.blogspot.com.br/2010/11/algo-sobre-travessias.html).

De toda forma, sempre que penso nesse tema, a ideia do caminho e do alvo me vem à mente, ponderando sempre que é inútil ter um sem o outro. O alvo sem a travessia é sem sentido, assim como uma mera travessia sem saber onde se quer chegar pode se tornar sem sentido. Assim, considero ter alcançado diversas coisas ao longo da travessia de 30 anos.

Dentre essas coisas, ao longo da travessia, chegaram os amigos, pois amigos simplesmente chegam até nós e se fazem nossos amigos se assim o permitimos. Assim, lembro de que para cada amigo feito há uma história do como essa amizade surgiu, dos embates, das ajudas mútuas, das conversas sem sentido e por aí vai.

Lembro-me que, quando fazia a graduação em matemática, sempre falava com meus colegas: “gente, o importante é fazer os amigos, pois eles que ficarão depois que tudo isso passar”. No início, meus colegas não concordavam muito com isso, mas com o passar dos anos, alguns foram percebendo que, no fim, todos formariam, todos alcançariam aquele título que queriam, e que o que sobraria era somente os amigos feitos ao longo da caminhada.

Aos 30, fico feliz com os amigos de hoje.

Outra coisa que veio ao longo da travessia foi o conhecimento, um pouco maior, que desenvolvi de mim mesmo. Aprender a ser quem se é e a dar valor a mim mesmo, foi algo que aprendi e tenho aprendido, mesmo que, algumas vezes, depois de dar cabeçadas na parede.

Nesse dar valor a mim mesmo, tenho aprendido a não me comparar com ninguém, pois o outro é sempre o outro, com suas dificuldades, suas facilidades, suas motivações. Aprendendo a comparar com o melhor de mim mesmo, chego aos 30 com um coração mais tranquilo ao que tinha quando completei 25. Penso que talvez, essa seja uma das grandes lições que uma travessia atenta nos mostra, que seria que o tempo certo é o tempo que se chega e que os tempos de cada qual que anda é diferente do nosso. Assim, querer que todos andem no mesmo passo, é por demais cruel e, muitas vezes, faria que trilhássemos um caminho diferente daquele que fazemos, visto que, todo aquele que passa antes de nós, deixa uma marca no caminho para os que vierem depois, seja ela perceptível ou não.

Ao longo da travessia, percebi a importância em ouvir os mais velhos, principalmente aqueles que nos amam. Ponderar sobre suas opiniões, ouvir seus conselhos, reconhecendo que os mesmos viveram mais do que eu, e por isso, devem ter uma visão da estrada de forma mais apurada. Desenvolvi a consciência de que, aqueles que nos amam, farão o possível para nos alertar das pedras nos caminhos que teremos que passar. Esses alertas, com certeza, não diminuem em nada a travessia, e, às vezes, tornam a travessia muito mais agradável e profícua para aquele que ouve esses conselhos.

Com todos esses aprendizados, nessa travessia de 30 anos, percebo que tem sido uma boa caminhada. Sabendo onde se quer chegar, sem, porém, deixar de observar o caminho, sigo tranquilo, com companhias agradabilíssimas ao meu lado. Algumas, de longa data, como mamys, meus irmãos e alguns amigos,  outras, de pouco tempo, nem por isso menos especiais para mim, como Andrea que, entrando em minha vida, tem me ajudado a ser melhor a cada dia com seu carinho e companheirismo.

E que venham mais 30 anos, cheios de alegrias e aprendizados. Alegremo-nos, pois, até o momento, a caminhada tem sido digna de ser lembrada. E por isso, tem sido uma boa caminhada.

Sigamos…

Fabrício Veliq
17.05.13 – 08:18

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