Era uma vez uma menininha de 9 anos…

Era uma vez uma menininha de 9 anos…

Era uma vez uma menininha de 9 anos de idade que tinha o sonho de salvar o mundo. Pensava dessa forma pois lia muito os livros de animais, via dvds ultra interativos sobre o clima. Seus pais eram fãs do Al Gore e já haviam assistido ao filme mais de 5 vezes.
Ela estudava em uma escola bastante simples e era muito inteligente. Era bastante carinhosa com todos da escola e todos os professores e funcionários gostavam de conversar com ela. Tinha várias amigas na sua sala e sempre passava seus momentos de recreio conversando, correndo, brincando como toda menina de nove anos.
Certo dia, uma coisa muito ruim aconteceu: ela passou a pensar que uma de suas melhores amigas não dava a devida atenção a ela. E é interessante quando passamos a pensar sobre a indiferença do outro.
Na sua escola, havia um funcionário que sempre a perguntava se ela estava feliz. Em um desses dias, ao perguntar se ela estava feliz começou-se uma conversa. Ela respondeu:
– Não muito.
– Por que?
– Porque minha amiga só quer conversar com outra menina e não me dá mais atenção. Toda vez que eu quero conversar com ela, ela não quer mais conversar comigo.
– Acho que há uma pessoa com uma pontinha de ciúme aqui… disse o funcionário.
– Não estou
– Eu acho que está sim…
– É eu acho que estou com uma pontinha pequenininha sim, assumiu.
– Sabe o que você podia fazer?
– Não. Não sei o que posso fazer para resolver pois ela não fica mais comigo…
– Porque você não a chama para conversar e diz como você está sentindo? Pois quando falamos sobre o que sentimos nos libertamos e temos a oportunidade de fazer com que o outro perceba o quanto eles são importantes para nós. Você pode tentar, o que você acha?
– Eu posso.
– Você promete para mim que vai tentar?
– Prometo
– Então tudo bem. Depois você me fala o que aconteceu, tá bom?
– Tudo bem.
A pequena menininha foi para sua sala e depois para sua casa disposta a tentar resolver sua questão.
No outro dia, ao chegar na sua escola, seu amigo perguntou:
– E aí minha amiguinha, conseguiu conversar?
– Não consegui
– Mas por que você não conseguiu?
– Porque tive medo. Ela não vai conversar comigo.
– Que isso minha amiguinha?! não é preciso ter medo.
– Ah, mas tenho. E não sei como fazer. Você não quer falar com ela para mim não?
– Mas não posso falar, pois é algo que você tem que resolver. E se eu resolver para você, como você vai fazer para resolver um problema quando eu não estiver por perto?
– Eu peço para outro resolver para mim…
– Mas isso não é bom. É sempre bom que consigamos resolver nossos problemas por nós mesmos. Com isso crescemos mais e nos tornamos pessoas melhores.
– Tudo bem então. Vou criar coragem e farei isso.
– Com certeza você vai se sentir melhor fazendo isso.
Sabe, muitas vezes achamos que os outros não dão muita importância para nós, achamos que eles são indiferentes conosco (chamo isso de indiferença subjetiva, uma vez que é baseada na visão subjetiva de que o outro é indiferente para conosco) e nunca os procuramos para esclarecer o que realmente tem acontecido. Aí, passamos a imaginar muitas coisas que nunca estavam lá e passamos a ficar tristes. Tristes por motivos que, muitas vezes, não são reais.
Uma vez tristes, corremos o risco de perder o que demoramos muito tempo para conseguir. Por isso, se há alguma coisa incomodando, esclareça, se chateou, fale. Você nunca vai perder nada fazendo isso. Pelo contrário, se tornará um libertador tanto de você mesmo como um libertador dos que estão a sua volta.
E então, ao falar sobre o que lhe machucava o coração, sua amiga a entendeu e disse que não era o que ela pensava. Que ela era sua melhor amiga e que estava imaginando coisas.

Com essa historinha, penso que o ciúme, uma vez revelado e resolvido com as devidas partes se tornam motivadores de grande crescimento de amizades e relacionamentos…
Que aprendamos com o caso de nossa amiguinha, que resolveu seu problema de indiferença subjetiva e com isso cresceu mais como pessoa. Sabe lá o que a vida prepara para nossa amiguinha. Felizes os que tem a oportunidade de aprender cedo sobre essas questões tão simples, mas tão complexas da vida…

Fabrício Veliq
08/10/2009 09:27

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