Salvação, o que vem a ser isso? uma abordagem

Salvação, o que vem a ser isso? uma abordagem

O que dizer sobre salvação? Ouvimos muito sobre esse tema e falamos sobre nossa salvação. Somos salvos, somos libertos, moraremos na glória, são frases comumente ouvidas no meio cristão. Mas o que vem a ser essa salvação? De onde ou de quem ela vem? Somos salvos de que? salvos de onde? salvos para que? Acredito que responder essa pergunta é essencial para nossa fé. Afinal, cremos em uma salvação.

Para começar, dentre as várias definições de salvação, gosto da definição de livrar da morte. No dicionário temos a morte física, mas para entender a proposta de salvação temos que entender a morte espiritual. Bom, tudo começou em Adão, com o pecado da desobediência ( o pecado não consiste no mero fruto, e se formos mais a fundo, podemos até considerar que a atitude de Eva e Adão representava a resposta à seguinte pergunta de Deus: Vocês confiam em mim e acreditam em mim a tal ponto de não comer desse fruto?).
Esse pecado gerou a separação do homem de Deus. Isso é a morte espiritual: a separação do homem de Deus. Uma vez mortos, necessítávamos de uma salvação.
Aí Jesus entra na história. A razão da vinda de Jesus foi para a reconciliação de Deus com os homens (comunhão essa perdida lá no Éden com Adão e Eva). Daí percebemos uma grande diferença entre religião e Jesus.
Religião vem do latim religare que quer dizer religar. Podemos perceber que em toda a história da humanidade, há essa tentativa do homem em se religar a um ser superior. Seja através dos tótens, seja através dos ídolos, seja através dos rituais, sempre o que está em questão é a tentativa de se reconciliar com esse deus.
Em Jesus porém, não temos o homem tentando se reconciliar com Deus, mas o próprio Deus tentando reconciliar o homem. E nisso que reside a maravilha da graça. Agora temos o Emanuel (Deus conosco conforme Mateus). Ou seja, Deus muda o sentido da via. Agora é Deus vindo ao homem e não o homem tentando chegar-se a Deus.
Por esse motivo é que Jesus não é uma religião. Em Jesus temos Deus reconciliando o homem. Esse é o motivo da morte na cruz: a reconciliação, o voltar a ter o livre acesso ao Pai. Deus não está mais no templo, antes em cada um de nós.
Nisso reside a salvação. Salvação não são cumprimentos de regras, não são metodologias a serem seguidas, antes é liberdade em Cristo.
Fomos salvos para um propósito: o propósito do Pai é para que adoremos e proclamemos Jesus (a reconciliação de Deus para o mundo) a todos. E o que é proclamar Jesus? Proclamar Jesus é viver o reino de Deus e viver o reino de Deus é amar ao próximo. E o que é amar ao próximo? é reconhecê-lo como sendo superior a você mesmo. É fazer o seu melhor em prol dele como fez o bom samaritano da parábola de Jesus. Ou seja, andar como Cristo andou (I Jo 2.6).
A salvação é uma salvação para o mundo. Ou seja, se essa salvação não reflete em transformação do mundo, então não teve valor nenhum e não é salvação.
Deus ama o mundo (embora muitos acham que não…) e o Reino de Deus deve ser estabelecido no mundo. Não um reino metafísico e transcendente, antes Deus reinando nele. “Venha a nós o teu reino” como diz o Pai Nosso tão falado e pouco refletido. Ou seja, reino de paz, justiça, alegria e amor é para esse mundo e não para um mundo porvir e distante, antes, para o mundo hoje e perto de cada um de nós.
O Reino de Deus é um reino de valores e somente com valores do Reino que podemos viver no Reino.
Que vivamos e percebamos o Reino entre nós. Que a consciência de que a salvação não tem a ver com justiça, antes com graça ( a justiça foi satisfeita na cruz) nos faça refletir sobre o real evangelho. Evangelho que liberta ao cativo, que salva o perdido, que consola os oprimidos. Esse é o Reino.

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